Política

Dallagnol alterou contratos e filantropia ficou de lado, mostram mensagens

Ele começou a focar o meio empresarial e arrecadou ao menos R$ 580 mil desde 2017, conforme documentos obtidos

[Dallagnol alterou contratos e filantropia ficou de lado, mostram mensagens]
Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Metro1 no dia 23 de Agosto de 2019 ⋅ 07:40

A atividade de palestras remuneradas do procurador da República Deltan Dallagnol passou por mudanças contratuais para deixar de ter a filantropia como principal destino dos valores, de acordo com reportagem da Folha publicada hoje (2), em conjunto com o site The Intercept Brasil.

Ele começou a focar o meio empresarial e arrecadou ao menos R$ 580 mil desde 2017, conforme documentos obtidos. 

Planilhas, recibos e contratos que circularam no aplicativo Telegram do procurador indicam contraste entre os argumentos da defesa apresentada por ele à Corregedoria do Ministério Público em junho de 2017 e a conduta dele em relação às palestras desde daquele ano. A reclamação disciplinar contra o procurador foi arquivada.

Reportagem da Folha de 14 de julho mostrou que Deltan montou um plano de negócios no ano passado a fim de lucrar com a fama da Operação Lava Jato.

Em conjunto com um colega, o procurador cogitou abrir uma empresa em nome de suas mulheres para evitar questionamentos legais.

As revelações do jornal levaram à abertura de novas reclamações disciplinares contra ele na Corregedoria.

Nessa manifestação, a defesa de Deltan alegou que as palestras deveriam ser enquadradas como atividade docente, o que é permitido por lei. 

Ele ainda argumentou que a atividade pretendia promover combate à corrupção e colaborar com ações de filantropia e sociais.

No ofício à Corregedoria, em junho de 2017, o procurador disse, no entanto, que tal procedimento havia mudado  desde aquele ano.

Desde então, os contratos, de modo geral, não têm mais destinação automática de valores para entidades filantrópicas.

A Corregedoria considerou procedentes as alegações de Deltan e apontou a destinação da remuneração no ano anterior para entidades filantrópicas, e então arquivou a reclamação disciplinar.

No entanto, o padrão mudou no ano seguinte, quando os contratos passaram a prever depósitos na conta corrente do procurador.

Em valores atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A soma das remunerações dos eventos desde 2017 encontrados na documentação é de cerca de R$ 580 mil.

A solicitação foi feita a Fernanda Cunha, dona da firma Star Palestras, em 18 de julho de 2018.

“Fernanda, será que a Unimed Salvador não quer me contratar pra uma palestra na semana de 24 de setembro?”, escreveu Dallagnol.

O procurador ainda foi remunerado por instituições e firmas do mercado financeiro, da indústria e do comércio, a exemplo da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), B3, XP e Centro Industrial do Ceará (CIC).

“Tenho pensado se devo soltar os nomes dos tomadores, mas o pessoal da FT acha que não, pq vão fuçar para dizer que um diretor da entidade tem isso ou aquilo, que o médico vinculado àquela unimed tá procesado por sonegação ou isso ou aquilo... acham que quanto mais ficar dando corda, pior será”, afirmou o procurador.

Outro lado

Dallagnol afirma que, ao longo dos anos, destinou a maioria dos valores arrecadados com palestras para atividade beneficente ou anticorrupção. Ele defende ainda que a maioria de suas palestras é gratuita e a atividade é legal, legítima e positiva para a sociedade. Em sua resposta, o procurador também não contempla as receitas obtidas em 2019.

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