Editorial

Mortes em Paraisópolis: MK critica 'surto de violência' que afeta o país; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Kertész ainda repudiou o crescimento do antissemitismo no Brasil

[Mortes em Paraisópolis: MK critica 'surto de violência' que afeta o país; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 02 de Dezembro de 2019 ⋅ 08:42

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (2), Mário Kertész falou sobre os principais assuntos do noticiário nacional durante o final de semana, a exemplo da ação policial que terminou com nove pessoas pisoteadas na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. MK demonstrou indignação com o caso, o qual avaliou como mais um reflexo do "surto de violência" que afeta o país.

"Essa violência é incentivada coletivamente pelos tempos e pelos governos que estamos vivendo no Brasil. Já não se tem a menor preocupação. O tal excludente de ilicitude vai permitir que essas e outras coisas vão acontecendo, sob aplausos de uma parcela significativa da população, que só vai reclamar e chiar no dia que tocar na pele dela. (...) Todos os depoimentos até agora indicam que a polícia encurralou o pessoal que estava no baile, e eles saíram correndo e foram pisoteados pelos frequentadores, por conta da ação nefasta da polícia. Mas agora a ordem não é essa? O próprio [governador de São Paulo] João Doria disse que a polícia não tem que conversar, tem que botar na lei dura, assim como [o governador do Rio de Janeiro, Wilson] Witzel, assim como o presidente da República [Jair Bolsonaro], que não diz um ai contra isso", analisou.
Ao citar o programa de renegociação de dívidas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), MK relembrou uma das propostas do candidato derrotado à Presidência em 2018, Ciro Gomes (PDT). "Na última eleição, Ciro Gomes disse que achava que boa parte da população que está endividada deveria se livrar desse endividamento. Atacaram ele, disseram que era demagogia, isso e aquilo. A partir de hoje, todos os grandes bancos vão dar até 90% de desconto para você pagar dívidas em atraso. Significa o quê? Que essas dívidas são mentirosas, porque você cobra juros sobre juros, numa escala geométrica, o sujeito que tomou emprestado R$100 de cheque especial, quando vai pagar está em 20 mil. Ora, se os bancos estão dando até 90% de desconto, significa que o real deles, mesmo, que eles deveriam receber, são esses 10%. E significa que o que Ciro Gomes falou é real, verdadeiro, justo e necessário, porque você tira várias pessoas desse peso infernal atacado por bancos e agiotas, que continuam tendo lucros trilionários em um país em plena recessão econômica, e coloca eles como consumidores de novo, podendo fazer a economia girar", disse.

MK ainda mencionou uma pesquisa da Anti-Defamation League (Liga Anti-difamação, organização judaica americana que luta contra discriminação), divulgada pela Folha de S. Paulo, que aponta o crescimento do antissemitismo no país. Ele fez críticas aos estereótipos que são associados aos judeus. "Aí quando estão falando comigo, dizem assim 'mas você não é judeu'. Eu sou judeu, sim! eu não sou beato, não sou religioso, mas a minha cultura e tudo que eu devo na minha vida, transmitido pelos meus pais, foi através da cultura judaica! É como se as pessoas que dizem isso pra mim dissessem assim, 'não, mas você não é casquinha, não é miserável'. Eu não sou, mas os judeus são... Você acha que é possível você generalizar para uma religião, uma raça, um grupo de qualquer coisa, você pode generalizar o comportamento? Isso é o caminho, o cerne do antissemitismo é esse! (...) O mundo precisa de um bode expiatório, precisa de alguém pra ser culpado por todos os males! Quem melhor pra ser culpado, senão o povo judeu, não é?", ironizou.

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