Editorial

'A gente não pode aceitar de jeito nenhum', diz MK sobre racismo; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész defendeu que o Dia da Consciência Negra deve ser um momento de reflexão sobre os preconceitos enraizados na sociedade

['A gente não pode aceitar de jeito nenhum', diz MK sobre racismo; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 20 de Novembro de 2019 ⋅ 08:43

O Dia da Consciência Negra, celebrado hoje (20), foi o principal assunto do comentário de Mário Kertész, na Rádio Metrópole. Para MK, todos os brasileiros deveriam refletir sobre o racismo estrutural, que está presente em atitudes do cotidiano e na desigualdade de oportunidades para a população negra.

"Aqui no Brasil, um dos últimos, se não o último país a abolir a escravatura, e que até hoje se autoilude com aquela história de que somos um país liberal, onde não há racismo... Não há, uma ova. Nós somos brasileiros racistas até a medula! (...) Fiquei feliz em saber que hoje grande parte dos frequentadores das nossas universidades são negros ou pardos. Agora, não nas principais profissões. Não na medicina, no direito, na engenharia. É porque eles são menos aptos? Ou porque tiveram e continuam a ter menos oportunidades? Boa parte das pessoas não entende isso e tem gente que se revolta com as cotas! (...) Nas cadeias brasileiras, a maioria dos presidiários são negros e pardos. A maioria dos moradores de sub-habitações são negros e pardos. As piores escolas são aquelas oferecidas a populações de maiorias negras e pardas. Isso não é racismo? Claro que é racismo. Isso dá uma tristeza que vocês não podem imaginar, porque não tem o menor sentido, mas continua, porque tá embutido na cabeça das pessoas. (...) Tenho muita vergonha desse racismo miserável que existe aqui no Brasil. A gente não pode aceitar de jeito nenhum, nem as desculpas bestas. 'Não sou racista, mas...'. Ah! Na hora que entra um 'mas' em algum lugar, acabou! Você nega tudo que você pretende dizer", afirmou.

MK também falou sobre o caso do deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP), que quebrou um quadro de uma exposição sobre genocídio negro no Congresso Nacional, e disse ter dúvidas sobre se o parlamentar será punido de alguma forma pela atitude. Ele ainda repudiou as declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, nas redes sociais. "Eu acho ele um sujeito ignorante, agressivo, grosseiro, mal educado, e que não tem a menor ideia do papel que um ministro da Educação tem que ter. (...) A autoridade máxima da educação do país se dá o desplante de ser um animal, além de tudo ignorante, que escreve errado, usa palavras erradas e não se intimida, pelo contrário", avaliou.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, também foi alvo de críticas pela decisão de criar um canal para denúncia de professores que "atentem contra a moral e a família". "É a república do dedo duro! Adolf Hitler, na Alemanha, fez a mesma coisa! (...) Vocês que se dizem tão cristãos, por que são tão violentos? Por que perseguem quem não pensa igual a vocês? Por que perseguem a liberdade sexual das pessoas? O que eu tenho a ver com a liberdade sexual de qualquer outra pessoa que não seja eu?", questionou.

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