Novinhas chupam p*u de pagodeiro e cumprem profecia de São Gerônimo do Maciel

A cena chocante aconteceu em Aracaju e foi filmada inclusive por membros da própria banda

[Novinhas chupam p*u de pagodeiro e cumprem profecia de São Gerônimo do Maciel]
Foto : Metropress

Por James Martins no dia 12 de Novembro de 2019 ⋅ 09:15

Há quase 10 anos, entrevistei o cantor e compositor Gerônimo na famosa Escadaria do Pagador de Promessas (Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo) e ali, falando sobre a questão da sexualidade no pagode baiano, ele analisou: “A maioria de quem gosta dessa música acha que esse tipo de comportamento vai de encontro à sociedade dominante. Mas a sociedade dominante gosta (...) As bandas são quase todas iguais, o cara que canta tem que ser malhado, musculoso, pra isso deixar as mulheres excitadas, com o clitóris na testa!”.  

E São Gerônimo inclusive arriscou uma profecia: “Vai chegar o tempo em que isso vai evoluir tanto que o cara vai mostrar é o cacete! Vai mostrar um pedaço de pica da porra e a mulher vai botar a boca no palco e chupar o pau do cantor, entendeu?”.

Pois o que para muitos soou exagerado se cumpriu. E em espaço de tempo que talvez surpreenda até o próprio profeta. Apenas 9 anos passados, no último final de semana, em Aracaju (SE), duas jovens subiram no palco da banda Uh Rei das Novinhas e, de fato, chuparam o pau do cantor. 

A cena não só aconteceu, naturalmente, diante de toda a plateia, mas já ganhou mundo, uma vez que foi filmada (inclusive por membros da própria banda) e caiu nas redes. “Assim eu gozo”, diz o vocalista no vídeo.

E agora, por onde começar? Primeiro, por uma mera questão legal: o que se chama de “novinhas” nesse vocabulário se refere, em geral, ao que nós costumamos chamar de “crianças”. Só isso traz implicações de ordem policial mais graves do que o mero ato sexual em público. Que se tomem providências.

Mas, eu fico me perguntando: o nosso choque (supondo que o leitor também esteja espantado) diante da cena, se deve a uma espécie de moralismo cristão ultrapassado ou tem razões de outra natureza? Aquilo, o boquete duplo e público, seria a realização do teatro dionisíaco ou simplesmente sinal de má gestão familiar/comunitária?

Ou melhor: as meninas foram para cima do palco protagonizar a cena porque são livres ou por serem escravas? Liberdade é fazer tudo o que se quer ou seria a tão difícil “consciência do limite”? E mais: a partir de que ponto se pode distinguir o que a gente quer de verdade daquilo que nos é dado querer?

Confesso que não tenho respostas simples. Mas aposto que, se for feita uma enquete sobre sexualidade entre os envolvidos no espetáculo de Aracaju (público e banda), as opiniões serão, na maioria dos casos, muito mais moralistas que as minhas. Há um descompasso na condução atual do Brasil que vai dar muito trabalho para sanar. Nesse mesmo contexto estamos vendo surgir (e isso eu previ há também já uma década) os Traficantes de Cristo! Assassinos sanguinários de bíblia na mão, pistola na outra e batidão de ouro no pescoço.

Houve um tempo em que a música popular possibilitava que o país inteiro falasse a mesma língua. Isso acabou. Hoje, há guetos. Sujeito é superstar em um e totalmente anônimo em outro. Atitudes são comuns em um e plenamente chocantes em outro. E os guetos não se comunicam, apenas se confrontam. Antes de discutirmos a sério a cena das meninas e do sexo oral, é preciso restabelecer a linguagem comum, uma consciência/imaginário verdadeiramente nacional, para, literalmente, começo de conversa.

Naquela mesma entrevista (que o editor publicou com um título sensacionalista que à época desagradou ao cantor e a mim mesmo), Gerônimo, autor de “Lambada da Delícia”, prevê também um show em que a banda inteira transará no palco (músicos, bailarinos e vocalistas) enquanto a plateia transa embaixo e todo mundo se fode no fim. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos!

*As opiniões colocadas neste texto não representam, necessariamente, a posição do Grupo Metrópole

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